júlio- então é março novamente?
eu - sim...com todas aquelas chuvas imaginárias, com aquelas promessas de apocalipses definitivos, tentativas imaginárias de suicídio. sempre perdendo o caminho de volta pra casa.
júlio- mas então...tudo de novo? março em meados de junho?
eu - sim...com meu próprio calendário particular, lembrando-me todo aquele pesadelo que me soterrou e do qual ainda hoje retiro a poeira dos ombros.
júlio- pois bem, meça tuas palavras, retorne à tua ítaca. pare com esta vocação de sísifo.
17.6.07
11.6.07
pluto
Desculpe
Mas vou ter que
Explodir
Explodir esse corpo
Me desligar
Eu ficarei novinho em folha
Novinho pro amanhã
Um pouco cansado
Mas novinho em folha
bjork
Mas vou ter que
Explodir
Explodir esse corpo
Me desligar
Eu ficarei novinho em folha
Novinho pro amanhã
Um pouco cansado
Mas novinho em folha
bjork
9.6.07
se te mostrasse o quarto onde fiquei preso todo esse tempo...não tinha porta, nada que impedisse minha fuga. de fato não tinha guardas. as telhas, acima, eram de um material muito frágil. as paredes mesmo, mal resistiriam à investidas mais violentas ou obstinadas de meus punhos. nelas, nas paredes, escrevi toda a minha história, e quando acabaram as tintas de todas as canetas, eu queimava o que sobrava e usava como carvão. todas as datas, nomes, crenças e mesquinharias, nada escapou. só que aos poucos, as paredes lotaram daqueles escritos mal acabados e sem ordem. restou-me o chão. até que comecei a escrever em mim mesmo, em meu próprio corpo. e depois, já sem ajuda de mais nada, comecei a escrever em minha memória. e alí eu poderia supor todo um salão gigantesco com toda seu imensidão de paredes e colunas e mesmo alí foram restando apenas brechas. foi quando comecei a me dar conta que mal estava deixando espaço para algo que pudesse vir a acontecer. e pra falar a verdade, sim, sou bem acostumado à ela, já consigo olhar fixamente praquela porta aberta e imaginar a hora de sair. deixo naquele imenso salão uma pequena coluna que se ergue até onde consigo alcançar, guardo um pedaço imaginário de carvão e uma vontade imensa de parar de me esconder.
4.6.07
fragmentos de 1 dia extenso
perdoa a fúria do meu sonho.
_________________________________________________
fumo embaixo do chuveiro.
cigarro molhado, isso que sou.
_________________________________________________
estava eu tentando, mais uma vez, dizer o que sou...
pro espelho, pra uma nova amiga, pro remédio,
pro copo, pro cigarro...
_________________________________________________
se a gasolina acabar, eu morro.
_________________________________________________
eu queria pelo menos um dia, e para mim já seria o suficiente, no qual eu
pudesse/conseguisse dizer como me sinto.
seria o meu dia trinfal.
_________________________________________________
amo essa confusão. que realmente seria legal se não acabasse comigo.
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fumo embaixo do chuveiro.
cigarro molhado, isso que sou.
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estava eu tentando, mais uma vez, dizer o que sou...
pro espelho, pra uma nova amiga, pro remédio,
pro copo, pro cigarro...
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se a gasolina acabar, eu morro.
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eu queria pelo menos um dia, e para mim já seria o suficiente, no qual eu
pudesse/conseguisse dizer como me sinto.
seria o meu dia trinfal.
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amo essa confusão. que realmente seria legal se não acabasse comigo.
15.5.07
decidi que ficaria na dúvida...
fosse a cicatriz do lado de fora e eu poderia supor o aparelho cortante. é sem sucesso que esgueiro por este terreno, é movediço o meu chão e pantanoso o caminho. autoconhecimento é auto-enganamento, e cada um tem o que merece.
10.5.07
cidade sem sol II
-por que espalhei a poeira e descobri que gosto mais de você do que pensei ser capaz. E, além disso, descobri o por quê das flores de primavera oscilarem pelo sol.
júlio diante dum pelotão de fuzilamento à martha, que embora triste, não carregava lágrimas nos olhos claros mas todo o abismo que encerra a dignidade humana.
júlio diante dum pelotão de fuzilamento à martha, que embora triste, não carregava lágrimas nos olhos claros mas todo o abismo que encerra a dignidade humana.
reticências
eu suturei minha vergonha na cara com uma dose excessiva daquele narcótico preferido.
eu surtei sem noção quando perdi o controle depois de correr o risco.
eu parei na prisão que eu mesmo construí com resquícios daquele abismo.
eu andei sem direção logo após tu ter dito que preferia me ver morrer sozinho.
eu corri na contra mão sem nem medir as conseqüências de tanto te dar carinho.
eu perdi a reflexão logo após ter pensando em tudo que era possível.
eu encontrei alguém pelo caminho que acha que sou eu e que tem tomado conta de minhas
ações como se realmente eu já tivesse ido (pra longe).
eu surtei sem noção quando perdi o controle depois de correr o risco.
eu parei na prisão que eu mesmo construí com resquícios daquele abismo.
eu andei sem direção logo após tu ter dito que preferia me ver morrer sozinho.
eu corri na contra mão sem nem medir as conseqüências de tanto te dar carinho.
eu perdi a reflexão logo após ter pensando em tudo que era possível.
eu encontrei alguém pelo caminho que acha que sou eu e que tem tomado conta de minhas
ações como se realmente eu já tivesse ido (pra longe).
7.5.07
em si mesmado
nem era culpa dela saber o que me vitimava. entregava-se a mim como a um vício. nem era a falta que me incendiava, como uma roma imaginária, era o excesso de poucas palavras. eu era a faca e a ferida, planos desfeitos. neste outono atípico, as folhas custavam a cair, mas deitado no chão eu nem tinha mais para onde cair. minha própria armadilha. em si mesmado. neste funeral encenado era o único enlutado. novas datas comemorativas, dilaceramentos e tentativas imaginárias de suicidio. ataduras não seguram este sangue.
2.5.07
ninguém controla quem deus extravia
ninguém controla quem deus extravia
ninguém pergunta como foi seu dia
será que só você se importa
com as perguntas que não têm resposta?
o que é mentira, o que é verdade?
qual é o mistério que ninguém acusa?
diz para todos o que só você sabe
que não existe culpado, só culpa
foi por baixo da cerca
ou por cima do muro...
foi na superfície ou
indo pro fundo...
foi comprando a briga
ou fugindo do murro...
que você descobriu o segredo
que deixou tudo tão mais obscuro?
post dedicado a um grande amigo
ninguém pergunta como foi seu dia
será que só você se importa
com as perguntas que não têm resposta?
o que é mentira, o que é verdade?
qual é o mistério que ninguém acusa?
diz para todos o que só você sabe
que não existe culpado, só culpa
foi por baixo da cerca
ou por cima do muro...
foi na superfície ou
indo pro fundo...
foi comprando a briga
ou fugindo do murro...
que você descobriu o segredo
que deixou tudo tão mais obscuro?
post dedicado a um grande amigo
26.4.07
definitivo
um dia, num buteco de caxias,
no meio de um poema de ricardo reis,
que arranhava na viola,
fiz um resumo crítico de minha vida
e cheguei à conclusão
de que o pesadelo era eu.
adaptado de uma poesia de fausto wolff. em "gaiteiro velho".
no meio de um poema de ricardo reis,
que arranhava na viola,
fiz um resumo crítico de minha vida
e cheguei à conclusão
de que o pesadelo era eu.
adaptado de uma poesia de fausto wolff. em "gaiteiro velho".
22.4.07
não me deixe ir pra longe, onde o meu olhar se esconde.
Como recompensa pelos cigarros de maconha que lhe dei, num ato involuntário de generosidade, Júlio leu-me partes do Livro do Desassossego. Tivesse eu lido isto antes e agora não conseguiria nem escrever uma lista de compras, pois o meu nome, este já não consigo escrever faz tempo. Ah! eu que sempre quis a generosidade das coisas esquecidas me acuso de fascista quando não lembro o nome dos outros. Decidi renunciar do meu.
Foi minha vocação para amenizar dores que me aproximou de Martha e depois de Júlio. Em comum, eles tinham a tendência de incendiar estrelas. Curioso o vício do destino ou a roda do acaso, de repente, estávamos presos no mesmo círculo de giz que não protege, só isola. E a busca por respostas sempre nos levava a mundos distantes, onde os olhares se escondem.
Foi minha vocação para amenizar dores que me aproximou de Martha e depois de Júlio. Em comum, eles tinham a tendência de incendiar estrelas. Curioso o vício do destino ou a roda do acaso, de repente, estávamos presos no mesmo círculo de giz que não protege, só isola. E a busca por respostas sempre nos levava a mundos distantes, onde os olhares se escondem.
18.4.07
seda
agora que a seda
transformada em trapos
já não me atrapalha movimentos
nem me aperta os sapatos
e que grito agudo
já não encontra eco
misturado à luz de outros
no universo
agora que o vento
me seca as lágrimas
água que é mar no meu corpo
sobra sal
bob dylan
você esta invisível agora, sem segredos
saudade é felicidade abafada, futura
agora que o vento me seca as lágrimas
música de lobão e cazuza. em "canções na noite escura".
transformada em trapos
já não me atrapalha movimentos
nem me aperta os sapatos
e que grito agudo
já não encontra eco
misturado à luz de outros
no universo
agora que o vento
me seca as lágrimas
água que é mar no meu corpo
sobra sal
bob dylan
você esta invisível agora, sem segredos
saudade é felicidade abafada, futura
agora que o vento me seca as lágrimas
música de lobão e cazuza. em "canções na noite escura".
pois bem.
comecei sem nem saber por onde. nem me importava. era o que queria pronunciar o nome o que importava. era minha mania imprecisa de amenizar dores o que importava. meu exercício falido de expressão. meus caminhos possíveis ao lado teu. teus abraços e sorrisos de insuspeita ternura. meu potencial de ser feliz.
16.4.07
desvio de rota.
parado no mesmo lugar, admitia a derrota olhando nos olhos do algoz: a vitória possível. ameaças de hecatombe desfigurando a paz mais promissora, riscos calculados e cultivados com afinco. sim, sim, ainda tenho vertigens à beira de meus abismos, ainda vislumbro o pessimismo possível, mas agora já mais sereno. mudança lenta e imperceptível. jardim lento e fulgáz. parado no mesmo lugar, já posso dizer ao horizonte: vamos em frente.
e o mundo, prometendo apocalipses definitivos que nunca aconteciam, ia, de certo modo, encorajando meu desvio de rota.
virada de milênio.
não lembrava muito bem
estava ocupado com o campo onde semeei
meu sonho
pisando vida e morte e calma
ainda indeciso
nada poderia me salvar
era virada de milênio
e recapitulando agora, não lembro muito bem
talvez seja só um eco distante daquele grito que dei
um erro persistir no erro
agora lembro: tudo que fiz de errado eu sabia
mas gostaram daquilo
e me seguraram aqui
agora vejo: talvez nem eu tenha culpa
tudo acaba e começa
só fiquei tonto no meio do caminho
era virada de milênio
e não é culpa minha errar.
estava ocupado com o campo onde semeei
meu sonho
pisando vida e morte e calma
ainda indeciso
nada poderia me salvar
era virada de milênio
e recapitulando agora, não lembro muito bem
talvez seja só um eco distante daquele grito que dei
um erro persistir no erro
agora lembro: tudo que fiz de errado eu sabia
mas gostaram daquilo
e me seguraram aqui
agora vejo: talvez nem eu tenha culpa
tudo acaba e começa
só fiquei tonto no meio do caminho
era virada de milênio
e não é culpa minha errar.
13.4.07
it´s the end of the world as we know it
foi o ano 2000
foi o que eu falei
que uma vez juntos tudo seria ok
mas a sombra teimava
havia algo errado
eu como uma pedra jogada num canto
pronunciando meu canto precário
sobrou pouco de mim pra contar a história
sou um canteiro de obras parado por incomodar demais
você pode entender? assim, desta forma?
você nunca entendeu o que não disse
desde lá, do ano 2000, o mundo ia acabar
e eu só queria que eu acabasse
por que você me salvou?
foi o que eu falei
que uma vez juntos tudo seria ok
mas a sombra teimava
havia algo errado
eu como uma pedra jogada num canto
pronunciando meu canto precário
sobrou pouco de mim pra contar a história
sou um canteiro de obras parado por incomodar demais
você pode entender? assim, desta forma?
você nunca entendeu o que não disse
desde lá, do ano 2000, o mundo ia acabar
e eu só queria que eu acabasse
por que você me salvou?
se
se eu fosse um cisne, teria partido.
se eu fosse um trem, estaria atrasado.
e se eu fosse um bom homem
conversaria com você mais frequentemente.
se eu fosse dormir, poderia sonhar.
se eu estivesse com medo, poderia me esconder.
se eu perder a sanidade, por favor, não ponha
seus fios em meu cérebro.
se eu fosse à lua, seria frio.
se eu fosse um bom homem compreenderia
os espaços entre amigos.
se eu estivesse com você estaria em casa e seco.
se eu estivesse sozinho, choraria.
e se eu perdesse a sanidade
você ainda me deixaria participar do jogo?
se eu fosse um cisne, teria partido.
se eu fosse um trem, estaria atrasado outra vez.
se eu fosse um bom homem
conversaria com você mais frequentemente.
letra de "if". do albúm "atom heart mother", ou, o disco da vaquinha. pink floyd.
se eu fosse um trem, estaria atrasado.
e se eu fosse um bom homem
conversaria com você mais frequentemente.
se eu fosse dormir, poderia sonhar.
se eu estivesse com medo, poderia me esconder.
se eu perder a sanidade, por favor, não ponha
seus fios em meu cérebro.
se eu fosse à lua, seria frio.
se eu fosse uma regra, seria burlada.
se eu fosse um bom homem compreenderia
os espaços entre amigos.
se eu estivesse com você estaria em casa e seco.
se eu estivesse sozinho, choraria.
e se eu perdesse a sanidade
você ainda me deixaria participar do jogo?
se eu fosse um cisne, teria partido.
se eu fosse um trem, estaria atrasado outra vez.
se eu fosse um bom homem
conversaria com você mais frequentemente.
letra de "if". do albúm "atom heart mother", ou, o disco da vaquinha. pink floyd.
deixa ser
eu sei, a metáfora é gasta. mas. me sinto como uma represa rachada, que mal contém o fluxo mas também não arrebenta. pra distrair, eu penso ser uma grande bobagem não se poder iniciar uma frase com este pronome. coço os olhos, nem sei se devo continuar. meu amigo fez uma camiseta mas tem receio de usá-la. acho que ele é a única pessoa que poderia. só eu posso dizer o que me faz feliz. bebo mais um pouco mesmo não podendo.
a febre ameaçou uma trégua. bandeira branca abanando num pedestal precário. a pouca experiência diz que é embuste, a vontade de otimismo: deixa ser.
posso dizer que hoje, mesmo tudo dizendo o contrário, estou feliz.
a febre ameaçou uma trégua. bandeira branca abanando num pedestal precário. a pouca experiência diz que é embuste, a vontade de otimismo: deixa ser.
posso dizer que hoje, mesmo tudo dizendo o contrário, estou feliz.
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